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Jornal Diário de Suzano - 01/04/2025
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CAMARA SUZANO
Coluna

Um vício destruidor

18 fevereiro 2025 - 05h00

Teve um tempo que para as pessoas jogarem era necessário sair de casa e se dirigir ao ambiente onde os jogos ocorriam, um cassino, o jóquei, as casas de bingo, de apostas de loterias ou até mesmo a casa de algumas pessoas que abriam espaço em sua residência para reunião com jogos, bebidas e conversas.
Havia também os encontros nas praças para jogar dominó, palito, truco e outros onde a aposta era mais simbólica e a reunião acontecia para não se isolarem do mundo e das amizades quando aposentados.
Entretanto, de uns tempos para cá os jogos podem ser acessados vinte e quatro horas por dia, todos os dias e de qualquer lugar, basta fazer uso de um celular e manter créditos que os jogos estão à mão.
Infelizmente as pessoas que jogam sempre acreditam que vão fazer fortunas jogando e não percebem que estão gastando muito do seu ganho suado e não estão tendo o retorno esperado.
Vão colocando créditos, que aparentam ser de pequeno valor, mas que somados ao final do dia somam um bom dinheiro que acabará fazendo falta nas despesas caseiras com alimento, pagamento de água, luz e impostos, além da aquisição de remédios.
Certamente ganham alguns valores para que não desanimem, para que continuem jogando, esses valores nunca se equiparam ao que gastaram, mas parece crescer e se avolumar na mente do jogador que acredita que a sorte está a seu favor e, assim persevera no jogo, se envolve tanto que muitas vezes acaba não convivendo com a família, mesmo estando com eles, repartindo a casa e o ambiente.
Tornam-se relapsos na rotina diária, priorizam o jogo e, infelizmente esse vício atinge homens e mulheres adultos, mas atinge também crianças que já possuem celular (e quem não os possui atualmente?)
O governo percebendo que o celular vinha prejudicando o desenvolvimento de crianças e jovens em idade escolar, decretou a proibição desses aparelhos dentro das salas de aula.
Esses seres ainda em formação se revoltaram, buscaram alternativas para ludibriar a segurança das escolas e manter consigo esses aparelhos de comunicação, uns por sentirem falta das conversas nos grupos de amizade, outros por não ficarem sem poder acessar as redes sociais, mas um grande número para jogar, apesar das proibições expressas até mesmo nos sítios dos jogos.
O jogo avança com força e impede as pessoas de raciocinarem lucidamente enquanto jogam, esquecem seus afazeres e no afã de enriquecer gastam além das suas possibilidades.
Conversando com uma jovem mãe, que desesperada veio buscar ajuda, ouvi que já havia pensado em tirar a sua vida, pois, devendo até para agiotas por conta de dívidas com jogo, trabalhando e tendo sua remuneração direcionada para pagamento dessas despesas desnecessárias para não ser ameaçada de morte, se viu pressionada pelo ex-companheiro que deixou claro que irá tirar a guarda de seus filhos, pois, está ciente do seu vício, das suas dívidas e da dificuldade que enfrenta para deixar de jogar.
Os canais de jogos se abrem para todos e de nada adianta as observações dos locutores para que joguem com responsabilidade, porque quem joga não sabe preservar seus limites e se perde, dando lucro e enriquecendo quem já tem muito, tornando mais pobre aquele que joga acreditando que a sorte o favorecerá, o que não vai acontecer, infelizmente...