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Jornal Diário de Suzano - 01/04/2025
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Coluna

Expulsar Gente

08 fevereiro 2025 - 05h00

A Lei de Migração reconhece os que buscam um outro país para ficar sem seguirem as suas condições legais, não só no Brasil como em todos os demais países. Cada um escolhe as suas modalidades. Portanto não deixa de ser correto cada país decidir expulsar os que “invadirem” seu território. Aqui no Brasil também temos a nossa legislação a respeito. Sem se abusar dos direitos humanitários, claro.
O que ocorre nos Estados Unidos é algo que se alonga por muitos anos, décadas. Decidir expulsar os imigrantes ilegais não é nenhum abuso, desde que as condições não sejam absurdas. Há exageros nas posturas do Trump? Certamente coisas abusadas devem estar ocorrendo. Por outro lado, quem assistiu o sermão da Bispa de Washington ao Trump viu que os imigrantes lá merecem uma boa atenção. Eles contribuem muito para trabalhos rejeitados pelos nacionais.
E temos gente nossa que prefere ir para outros países para alcançar mais. Temos muitos brasileiros indo em especial para Portugal, além de Espanha, Itália, Canadá e Estados Unidos. Mas gente nossa ainda vai mais longe tentando o seu melhor, como é o caso do Japão e da Austrália. Certamente existem países onde a vida está ainda mais difícil, como Venezuela e tantos outros da América Central. Assim, os seus nacionais buscam partir em busca de vida melhor. Ou um regime do governo que não aceita todos.
Vivi por vários anos fora do Brasil, na Europa, nos anos de 1970. Na época, por lá, o destaque da imigração eram os portugueses. Havia a chamada Guerra Colonial, onde Portugal lutava para manter o domínio sobre as “colônias africanas”. Os rapazes em idade de serviço militar saiam do País assim que podiam. Vinham para o Brasil em grande número, mas na Europa a circulação era imensa. Só a França tinha cerca de dois milhões de portugueses então. Eles trabalhavam bastante, em especial em obras e manutenção de prédios, mas também em outras áreas a que os franceses se recusavam o u evitavam atuar. Mas não havia campanhas contra os lusitanos. Ajudavam muito, não eram mal vistos. Alguns se tornaram muito bem de vida. Assim, em 1974, com a “Revolução dos Cravos”, que acabou com a Ditadura Salazarista, muitos foram voltando para sua terra natal. Muitos voltaram com excelente formação e abriram muitos espaços no novo Portugal.
Eu mesmo busquei trabalho por bom tempo na França, quando lá vivi, mas logo consegui espaço como figurante em filmes franceses, recebia um bom pagamento e era um serviço maneiro. Felizmente, fui convidado a ser professor na minha Universidade, que não tinha um salário fantástico, mas me garantia uma certa tranquilidade ao olhar o futuro, um filhinho estava chegando. Gostava da vida na Europa, em especial na França, mas minha vontade mesmo era voltar para a minha terrinha querida. E um dia pude voltar.
Hoje, a vida miserável em tantos países, em destaque na América Latina, afeta de forma atraente a visão adiante de seus habitantes para os Estados Unidos. Como os habitantes da África são atraídos pela vida na Europa. Tanto na Europa como nos Estados Unidos na atualidade já falta mão de obra para muitas funções que os nacionais detestam, e que os imigrantes se dispõem a ocupar. Mas não há políticas para tal na maioria dos países. Rejeitar os imigrantes é recusar solução para o que virá adiante. Expulsá-los simplesmente não soluciona, aumenta o problema, estimula a “ilegalidade”. Isso implica em se recusar a aceitar que no futuro pa íses terão de entrar em acordos para trocar mão-de-obra. Coisa inevitável. Pensemos nisso.